Violência Obstétrica

Falando ainda sobre a realidade da maternidade, no mundo inteiro as mulheres sofrem de violência obstétrica.

O que vem a ser esse tipo de violência? Como se não bastasse todo o machismo que permeia a vida da mulher, muitas são submetidas a  procedimentos violentos, físicos ou não, na gestação, trabalho de parto, parto, pós-parto e abortamento. Infelizmente, permeia o cotidiano dos hospitais, consultórios e maternidades de todo o mundo.

Violências como agressões verbais, recusa de atendimento, privação de acompanhante, lavagem intestinal, raspagem dos pelos pubianos, jejum, episiotomia, imobilização, exigir posição ginecológica, realizar exames sucessivos exames de toque, aplicação de ocitocina sintética sem consentimento, separação de mãe e bebê saudável após o nascimento, dificultar aleitamento materno, introduzir leite “artificial” e chupeta sem o consentimento da mãe são alguns dos exemplos que permeiam esse momento frágil, que deveria ser pautado de cuidados por toda a equipe de saúde.

A presença de um acompanhante desde o trabalho de parto, por exemplo, é garantido por lei desde 2005. A escolha é da mulher, não distinguindo em grau de parentesco ou sexo do acompanhante. O acompanhante é importante para que forneça um suporte para a mulher, nesse momento permeado por fragilidade física e emocional. Mesmo tendo um respaldo científico, é recorrente o relato de mulheres que ficaram sozinhas durante todo o período.

Além disso, a mulher que sofre violência obstétrica não sofre sozinha: o bebê, por conta do estresse passado pela mãe, corre risco de vida, como asfixia por liberação do mecônio, hipóxia e diversas outras consequências por falta de oxigenação adequada do cérebro.

As mães adolescentes, em especial, são alvos fáceis de violência obstétrica. Muitas vezes já estão fragilizadas o com julgamento da sua própria rede de apoio, gravidez indesejada, falta de responsabilização por parte do pai da criança… Como se não bastasse, é comum encontrar relatos de sátira e agressões verbais durante o parto: “na hora de fazer não reclamou”.

O Brasil, entre diversos títulos vergonhosos, possui mais um: está na lista como o país que mais realizam cesáreas no mundo. A OMS (Organização Mundial da Saúde) recomenda que 15% dos partos sejam cesáreas, mas o Brasil fica na casa dos 50%, chegando a ser um número de 80% a 90% nas redes particulares. A cesárea é mais rápida, lucrativa e tem consequências bastante negativas para as mulheres.

A violência obstétrica deixa diversas marcas – literais e figurativas – que a mulher irá carregar para toda a vida. Todas deveriam ter acesso ao parto humanizado, que como o próprio nome diz, tem um caráter mais humano. Não se trata de apenas ser feito em uma banheira, vai muito além disso: a mulher ser protagonista do processo, realizando o mínimo de intervenções médicas, que somente se darão com autorização da gestante. Todo o olhar cuidadoso da equipe de saúde deve acompanhar desde o pré-natal até o pós-parto, orientando, cuidando e prestando aquilo que prometeram nos seus juramentos na formatura.

Texto de Juliana S. Farias 

julianaJuliana S. Farias é psicóloga formada pela Universidade Federal de São Paulo (CRP: 06/130659). Pós-graduanda em adolescência e formação em Terapia Cognitivo-Comportamental. Atualmente, trabalha em uma equoterapia e atendimento clínico. É apaixonada por terapia assistida por animais. Acredita na psicologia como forma de promoção de qualidade de vida para todos.

Contato : jusouzafarias@gmail.com 

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  1. Show.

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