Ser trans

Disforia de gênero, transexual, travesti,  transgênero e outros inúmeros termos englobam quando uma pessoa não se identifica com o seu próprio gênero. Em outras palavras, uma pessoa que nasceu com órgãos sexuais masculinos mas se identifica com o gênero feminino e vice-versa. Quando a pessoa se identifica com o gênero do sexo biológico que nasceu é chamado de “cis”.

Transgênero engloba tanto o transexual quanto o travesti. O transexual deseja realizar ou realizou a cirurgia de mudança de sexo, enquanto o travesti não o faz. Porém, é importante enfatizar que independente de qual órgão genital a pessoa portar, isso não o faz menos homem ou mulher. A identificação com o gênero é o que se deve levar em consideração, portanto, respeitar os nomes e pronomes corretos quando referir-se a pessoa.

A não identificação do gênero com o sexo biológico mostra seus primeiros sinais por volta dos dois e seis anos de idade. A criança sente interesse por brincadeiras, vestimentas e tudo o que o sexo oposto faz. Torna-se um grande sofrimento para a criança e a família, frustrando expectativas, gerando conflitos e a falta de informação do que está acontecendo com seu filho. Nessa situação, os pais geralmente são culpados por outras pessoas de estarem influenciando a criança a ser daquele jeito; além disso, é comum ouvir relatos de pessoas trans que apanharam, sofreram bullying, “estupro de correção” e até a expulsão de casa.

Dessa maneira, muitos dos que foram expulsos acabam entrando no ramo da prostituição como falta de opção. O mercado de trabalho está permeado por muito preconceito, e aqueles que conseguem algum emprego, muitas vezes são cabeleireiros ou outras profissões ligadas à estética. Hoje existe a iniciativa da “Casa 1”, em São Paulo, que abriga pessoas LGBT que foram expulsas de casa e lhes oferece uma nova oportunidade.

Para aqueles que recebem apoio ou já são maiores de 16 anos, é possível começar o tratamento hormonal para que desenvolva caracteres sexuais secundários do sexo desejado. Por exemplo, para uma mulher trans irá crescer seios, afinar a voz, cintura mais fina e para homens trans irá nascer barba, engrossamento da voz e outras mudanças corporais. Só é feito a partir dos 16 anos para que não atrapalhe o desenvolvimento do restante do corpo. A cirurgia de mudança de sexo só é permitida após os 21 anos, sendo obrigatórios dois anos de acompanhamento psicoterápico e psicológico.

Aquelxs que realizam a cirurgia, como a youtuber Mandy Candy, relata que é um sofrimento ter que conviver com a genitália não desejada, evitando ir ao banheiro ou caindo no choro diversas vezes no banho. Apesar de o pós-operatório ser complicado, a youtuber diz que ao retirar a sonda e sentar-se pela primeira vez para fazer xixi, chorou de felicidade.

Cada vez mais o público LGBT estão tendo voz e conquistando seu espaço de fala, lentamente. Essa luta é ainda mais complicada no Brasil, que está disparado no ranking de violência contra os LGBT. Não trata-se de uma escolha, nasce-se assim e ponto. A informação é uma preciosa aliada para o combate à intolerância. São todos feitos de carne, osso e só desejam ser felizes, seja com o que se identifica e o que se ama.

Texto de Juliana S. Farias 

julianaJuliana S. Farias é psicóloga formada pela Universidade Federal de São Paulo (CRP: 06/130659). Pós-graduanda em adolescência e formação em Terapia Cognitivo-Comportamental. Atualmente, trabalha em uma equoterapia e atendimento clínico. É apaixonada por terapia assistida por animais. Acredita na psicologia como forma de promoção de qualidade de vida para todos.

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