Separação significa o fim?

Ao falarmos em separação, divórcio ou término de relacionamento, logo nos questionamos as causas que levam para tal acontecimento surgir, e se isso seria o fim de algo.

Em se tratando do rompimento de uma relação, nos deparamos com dois pilares. De um lado está a pessoa que pediu a separação e a outra que recebeu a notícia. Normalmente o lado que tomou a iniciativa é visto como um agressor e quem recebeu a vítima.

Obviamente que cada caso é um caso, e não dá para ser analisado essa questão de uma forma generalizada. Ainda assim, podemos perceber que essa questão de “vítima e agressor” é algo um pouco frequente.

Antes de mais nada, podemos pensar que independente de quem tomou a atitude e quem recebeu a informação, o relacionamento já vinha sofrendo um desgaste, e ambas as partes estavam sentindo.

Essa percepção ocorre de forma direta ou indireta. Normalmente quem toma a atitude, acaba tendo uma visão mais reflexiva e crítica do que estava ocorrendo na relação, podendo dessa forma analisar os prós e contras, vendo o que está “ruim”. Em contrapartida o outro, pode-se esquivar do problema que está se instaurando, não observando os “sinais”, como uma forma de se defender.

O ato de se esquivar, pode vir como uma forma de evitar o sofrimento e de sentir a dor. Mas esse sentimento já vai sendo instaurado de forma sutil, independente do “fim”. Antes de um casal terminar, começa-se a ter aspectos destrutivos, como agressões verbais e distanciamento, fazendo com que a convivência se torne exaustiva.

A pessoa que toma a iniciativa, pode também estar sofrendo, mas ao invés de fugir da situação prefere enfrentar. Sendo essa forma que encontrou para mudar algo que não está bom.

Os relacionamentos sempre terão dois lados, sendo ambos coparticipativos da situação instaurada.

A ideia de sucesso e fracasso é utópica, não se tendo uma” fórmula mágica” que fará tal relacionamento ser “bem sucedido”. O que ocorre são mudanças pessoais em decorrência de fases vivenciadas.

Através de alguns acontecimentos vividos, as pessoas podem mudar a maneira de pensar, fazendo com que isso reflita em suas relações. Em cada momento as coisas podem ser percebidas de formas diferentes.

Algumas vezes poderá observar casais que passam muitos anos juntos, sendo que o tempo também não significa bem estar. Podendo ter outros motivos que levam as pessoas a se manterem juntas, além do sentimento. Estar junto de alguém nem sempre significa união e companheirismo.

O bem estar nas relações costuma-se evidenciar, a partir do respeito mútuo com a individualidade. Se tratando da liberdade do outro, tendo o respeito pelos gostos diferentes e pela maneira de ser em geral.

As diferenças fazem parte dos relacionamentos e não significa algo ruim. Pois ambos podem aprender, podendo somar ao invés de subtrair. O ato de querer moldar o outro na sua imagem e semelhança, causa desgaste na relação, pela perda da identidade e individualidade.

 O diálogo também é de grande importância. Muitas vezes só faremos com que o outro perceba o que causa incomodo, se modificarmos aspectos em nós mesmos. A pessoa poderá compreender melhor, a partir da conversa. Um não precisa anular o outro, para se moldar a um ideal.

A qualidade de uma relação pode ser mais importante que o tempo de sua duração, e o fim pode ser um recomeço. Ao admitir para si próprio que algo não está positivo, gera-se um momento de reformulação, podendo tanto fortalecer relações antigas como abrir novos espaços para se inserir, modificando seu lugar no mundo.

 

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@PartiuFalarDaquilo

okMichelle M. Santiago é Psicóloga formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. CRP: 06/128723. São Paulo-SP.

“Em minha formação, sempre tive teóricos que me inspiraram, dentre eles está: Sigmund Freud, com a psicanálise; Carl Gustav Jung, com a psicologia analítica; Jacob Levy Moreno, com o a psicoterapia de grupo e o psicodrama. Sendo de grande base para minha experiência profissional como psicoterapeuta. Possuo grande paixão pelas artes de maneira geral, principalmente quando se trata de cinema e teatro, pois para mim vejo o quanto ‘A arte representa a vida’ e nos ensina. Adoro escrever e tratar de temas envolvendo as relações humanas de maneira geral, como amor, família, amigos, também voltado a sexologia, bem estar etc.

A psicologia para mim é mais que uma ciência, é ser humano.”

 

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