Querer afeto não significa “ser carente”.

Observa-se que ultimamente as demonstrações de afeto, costumam ser transmitidas mais pela fala/escrita do que pelo toque. Agora, quais são as possíveis causas que levam a isso? Será que tem relação aos avanços tecnológicos ou o individualismo social?

A partir de algumas mudanças geracionais, percebemos que a interação entre as pessoas se dá muito por meios tecnológicos, como em redes sociais e mensagens.

Através disso, vemos muitas demonstrações nesses seguimentos. Sendo visto em ‘posts’, na qual, uma pessoa se declara para outra, escrevendo ou falando de seus sentimentos. Entretanto será que não existe uma outra forma de demonstração de afeto, além da fala? Sendo um tipo que as vezes fica em segundo plano?

Muitas vezes tem-se a ideia de “carência” quando uma pessoa demonstra querer algo a mais. Causando a impressão de ser alguém pegajoso, que quer atenção o tempo todo. Mas na verdade, essa vontade de “algo mais” pode ser nada mais e nada menos que a falta do carinho.

Todos nós seres humanos precisamos desse tipo de afeto, o corpo pode dizer muito mais do que a fala. Este aspecto pode ser observado no início do nosso desenvolvimento.

Logo que nascemos, nosso primeiro contato é através do toque, e é nele que começamos a descobrir o afeto. Quando somos recém nascidos, esta é a fonte que liga a formação psíquica.

Para um bebê, além de ser necessário suprir as necessidades básicas, envolvendo a alimentação e a higienização, a parte emocional também é de extrema importância. Justamente por transmitir a sensação de pertencimento, no caso, de ser amado e cuidado por alguém gerando-se o sentimento de segurança e proteção.

Ao crescermos este aspecto não muda. Ainda assim, socialmente cobra-se que com a maturidade basicamente não precisamos mais desse tipo de afeto, como se tornasse uma espécie de “frescura”.

Na verdade, está é uma ideia equivocada, já que o carinho não se restringe a uma faixa etária e nem há um tipo de gênero. Tanto homens e mulheres, como crianças, adultos e idosos, necessitam disto, tanto em âmbito psicológico como biológico.

Alguns pequenos gestos podem demonstrar. Como um abraço, um beijo, um olhar, andar de mãos dadas, o ato de consolar alguém em um momento de angústia, dentre diversas outras coisas que demonstrem ‘estar ali pelo outro’, no caso, se importar.

Da mesma forma, em âmbito sexual isto também é importante. Ao se ter a exploração tátil, através das preliminares. Ocorre a estimulação das terminações nervosas, existentes na pele, proporcionando maior prazer.

A frequência dos estímulos gerados pelo toque, proporcionam bem estar e geram bom humor, podendo desta forma diminuir as sensações de estresse.

Dentro dos relacionamentos a falta desse olhar, pode ser um atenuante para gerar conflitos, discussões e brigas no casal. Desta maneira, por mais que a fala auxilie na demonstração dos sentimentos, é importante não deixar de lado as outras formas de proporcionar afeto.

Já que algo pode ser tão prazeroso, porque não explorar mais?

 

 

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@PartiuFalarDaquilo

okMichelle M. Santiago é Psicóloga formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. CRP: 06/128723. São Paulo-SP.

“Em minha formação, sempre tive teóricos que me inspiraram, dentre eles está: Sigmund Freud, com a psicanálise; Carl Gustav Jung, com a psicologia analítica; Jacob Levy Moreno, com o a psicoterapia de grupo e o psicodrama. Sendo de grande base para minha experiência profissional como psicoterapeuta. Possuo grande paixão pelas artes de maneira geral, principalmente quando se trata de cinema e teatro, pois para mim vejo o quanto ‘A arte representa a vida’ e nos ensina. Adoro escrever e tratar de temas envolvendo as relações humanas de maneira geral, como amor, família, amigos, também voltado a sexologia, bem estar etc.

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