Quebrando tabus sobre LGBT

Em uma sociedade que as minorias (minorias no sentido de representatividade e não em quantidade de pessoas) têm procurado tomar seu espaço de fala e ação. Dentre essas minorias, o público LGBT (lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transgêneros e transexuais)  ainda está permeado por preconceitos, estereotipias e machismo.

O Brasil lidera o ranking de morte lidera o número de homicídios de pessoas LGBT. De acordo coma  ONG Transgender Europe, das 295 mortes de transexuais registradas em 33 países até setembro de 2016, 123 ocorreram no Brasil”. A maior parte dessas mortes ocorrem em via pública, ligadas à intolerância e a vulnerabilidade. 36,1% dessas violências ocorreram dentro de casa (dados de 2013 no extinto Ministério das Mulheres, Igualdade Racial e Direitos Humanos). Estima-se que uma pessoa LGBT morra a cada 28 horas no Brasil. Tudo isso sem contar com os casos que não são notificados.

Para acolher essa população vítima de intolerância e violência foi criado o Projeto Casa 1, que funciona como uma república, ofertando moradia, oferecendo oportunidades, sociabilidade, projeto e atividade artística, segundo o idealizador do projeto.

 O que nós, profissionais da saúde, podemos fazer diante disso? Informar, romper preconceitos e a intolerância, muitas vezes difamada por falta de conhecimento.

Apesar de ter sido nomeado como homossexualismo pelo próprio DSM até a década de 1900, o Conselho Federal de Medicina e a Organização Mundial da Saúde reiteraram de ser uma condição médica ou mental. Como diz o CRP-SP “não há cura para quem não está doente”. Ser LGBT não é doença, transtorno, síndrome, distúrbio, perversão e nem nada do tipo. Mesmo que um projeto tramitou na Câmara dos Deputados em pleno 2017, a psicologia não oferta cura gay, esclarecido pelo código de ética.

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Vamos esclarecer alguns pontos:

Lésbicas são mulheres homossexuais que sentem atração sexual por mulheres.

Gays são homens homossexuais,  que sentem atração sexual por homens.

Bissexuais são mulheres e homens que sentem atração por mulheres e por homens, igualmente.

 Transgêneros/Transsexuais/Travestis são pessoas que se identificam com um gênero diferente daquele registrado no nascimento.

Homem Trans: quando nasceu foi registradx como ‘Mulher’, porém identifica-se como ‘Homem’ e, portanto, é homem. Da mesma forma a Mulher Trans foi registradx como ‘Homem’, porém identifica-se como ‘Mulher’ e, portanto, é mulher. Quando a pessoa identifica-se com seu gênero é chamado de “cis”.

Intersex são aquelas que nascem com genitália ambígua (“hermafroditas”, termo não deve ser utilizado para humanos).

Assexual são pessoas que não sentem atração sexual por nenhum gênero, nem ninguém. Não se interessam por relações sexuais, o que não significa que não se interessam por relações e vínculos emocionais.

Pansexual são aqueles que sentem atração sexual por pessoas de todas as orientações sexuais e identificações de gênero.

Portanto, uma pessoa pode ter nascido mulher (sexo biológico), se identificar com o gênero masculino (identidade de gênero) e gostar de homens (orientação sexual/afetiva). Ao contrário do que parece, essas coisas caminham de maneira independente uma da outra.

É importante trazer esclarecimentos para a sociedade, pois poderia haver menos preconceito e intolerância com essas pessoas, e também aliviar o sofrimento de uma pessoa que não se identifica muitas vezes com os outros a seu redor e sentem-se “fora do aquário”.

julianaJuliana S. Farias é psicóloga formada pela Universidade Federal de São Paulo (CRP: 06/130659). Pós-graduanda em adolescência e formação em Terapia Cognitivo-Comportamental. Atualmente, trabalha em uma equoterapia e atendimento clínico. É apaixonada por terapia assistida por animais. Acredita na psicologia como forma de promoção de qualidade de vida para todo

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  1. […] a série de quebrando tabu, nada mais justo do que falar um pouco sobre o que é um relacionamento não monogâmico, bem como […]

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