NINGUÉM VAI TE ENTENDER

psicodica27

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Imagine você, psicólogo, trabalhando numa instituição e acontece o seguinte fato: uma enfermeira te diz que não suporta uma paciente (idosa) e não consegue viver com ela e você tem que dar um jeito na paciente. Imagine também que a paciente te procura e fala que não suporta a enfermeira, que não se sente compreendida por ela e quer que você faça alguma coisa.

Como você fica? Com aquela cara de paisagem e com uma grande vontade de só fazer o seu trabalho. Aí, você lembra que faz parte do seu trabalho mediar conflitos e facilitar a comunicação intergrupal. Você percebe que está numa enorme saia justa.

Pois é, isso aconteceu comigo. Todo psicólogo que trabalha em uma instituição é colocado em situações como essa em um momento e precisa fazer algo (e que não seja fugir daquele lugar, se quiser garantir seu ganha-pão no fim do mês). E eu fiz algo. Propus um psicodrama que permitisse o diálogo entre esses dois grupos diferentes: idosas e enfermeiras.

Sabe o que percebi? Os dois grupos estavam falando a mesma coisa: todas se sentiam incompreendidas e ninguém queria dar o braço a torcer. As enfermeiras porque não queriam perder a autoridade profissional e as idosas tinham medo de retaliação. Além disso, ambas tinham expectativas sobre as outras e nem elas mesmas tinham noção disso. (Nós sabemos como expectativas podem ser péssimas numa relação quando não são tão claras).

A gente poderia tentar entender essa situação de diversas maneiras: projeção, conflito de interesses, conflito de gerações, entre outros. Eu via, simplesmente, uma enorme dificuldade em ouvir o outro. Isso mesmo: ninguém queria ouvir ninguém, pois já tinham opiniões fechadas sobre quem eram as outras pessoas e não estavam muito dispostas a mudarem essa percepção.

Alguém precisa dar o braço a torcer, se quiserem que a relação flua de uma maneira legal. E esse alguém precisa ser você, profissional da saúde. Isso mesmo: não fique esperando que o paciente te entenda, te aceite ou mude seu jeito por você. Ele não vai fazer isso, nem que você o obrigue. É você, enfermeira, médico, psicólogo, que precisa ter paciência e entender que o outro precisa da sua ajuda e não o contrário.

Ah, mas e quem vai me entender, você pode se perguntar. Ninguém; acho que só sua terapeuta. Sinto muito em te informar: na sua relação com o seu paciente, seja idoso, adulto, criança, adolescente, é você que deve entendê-lo e não o contrário. Se você realmente quiser ajudá-lo a se transformar, você vai precisar de uma alta dose de empatia e paciência. Caso seja difícil agir assim, talvez essa não seja sua profissão verdadeira.

Texto de Wellington Cimbrom – Psicólogo (CRP 06/132808), escritor, palestrante e pesquisador. 

Rafael Cerqueira

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Escritor de meia tigela, editor e idealizador do Piscocast, universitário nerd, amante da psicologia e apaixonado por conhecimento.

1 Comments

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  1. Amei ♥

    Alessandra Rulli / Responder

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