A Linha Tênue entre a Vida e a Morte

psicodica-24

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Uma vez uma amiga me disse que 4 rapazes que estudavam com ela foram à praia. Um deles tinha muito medo do mar, porem os outros 3 achavam apenas frescura do amigo. Tiveram a brilhante ideia de segurar o garoto medroso pelos braços e pernas e joga-lo no mar, só de zoeira mesmo. Este garoto, medroso, morreu de ataque do coração quando jogaram ele. Ele morreu de medo.

Certa vez um menino de 12 anos andava de skate perto da casa onde morava quando criança. Este menino, em pouca velocidade no skate, praticamente parando, escorregou e bateu a cabeça na calçada, altura do próprio corpo. Este menino faleceu por traumatismo craniano.

Já vi pessoas jovens morrerem de infarto na faixa dos 30 anos. Conheci um cara que capotou um carro na estrada, saiu andando e tudo bem na hora. Uns dias depois teve enjoo, foi ao médico e uma semana depois faleceu.

Com certeza você já ouviu falar em diversos casos de mortes repentinas não é mesmo? Pessoas jovens e velhas, ricas e pobres. E o engraçado é que temos a certeza que todos nós um dia vamos morrer e mesmo assim a morte nos impressiona.

Esta semana que passou, tivemos infelizmente o falecimento do ator Domingos Montagner, que se afogou em um mergulho após as gravações de cenas da novela Velho Chico. Enquanto a notícia era transmitida até dizer chega em redes sociais e televisão, percebi o quanto a morte de um cara famoso abala as pessoas.

Vi pessoas dizendo que isso era o destino dele pois ja tinha interpretado papeis e cenas semelhantes. Vi pessoas dizendo que isso era fruto do ator estar atuando com “macumba”. Vi pessoas com medo de sabe-se la o que, só porque achava estranho mortes deste tipo.

Acontece que, pessoas morrem a todo momento, dos mais diversos modos, e como a televisão e internet apreciam por demais sua audiência, eles transmitem tanto tais notícias, que faz a gente achar que morrer não é algo natural.

Independente de religião temos que ser francos: a Morte está ai, para todo mundo e absolutamente imprevisível.

Vamos tomar o exemplo do ator Domingos Montagner. Atribuíram sua morte a destino, religião, disseram até que estava tendo um caso com outra atriz e estava pagando por isso. Ora, venhamos e convenhamos que atores interpretam diversos papeis ao longo de suas carreiras e nem por isso tem mortes trágicas. Sem contar o gigantesco número de pessoas desta dita “religião do mal” que esta ai morrendo de morte morrida como qualquer outra pessoa. Mais uma coisa: pessoas traem pessoas a rodo por ai, nem por isso todo mundo está se afogando.

Como a morte se tornou algo medonho e distante do nosso dia a dia, não deixamos que ela seja natural à vida. Vivemos todos os dias fingindo que a morte não existe. Mesmo a maioria das religiões dando um bom destino para a nossas almas após a morte, tememos o inevitável.

O que aconteceu com o ator foi uma fatalidade, uma trágica fatalidade que não desejo para ninguém. Nós, psicólogos, ou qualquer pessoa que trabalha com processos terapêuticos e educativos, temos que entender que a morte é algo natural e inevitável e sua negação é patológica.

Quanto mais nos distanciamos de algo, quanto mais evitamos uma coisa, quando fingimos que nada está acontecendo, essa “coisa” vai se tornar cada vez mais poderosa e vai nos amedontrar cada vez mais.

O texto acima é baseado nas reflexões do autor. Não pode ser utilizado como fonte científica e não possui fundamentação em nenhuma linha específica da Psicologia.

Rafael Cerqueira

view all posts

Escritor de meia tigela, editor e idealizador do Piscocast, universitário nerd, amante da psicologia e apaixonado por conhecimento.

0 Comments

Join the Conversation →

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *