Orientação Profissional

O grande conflito da adolescência é responder a pergunta: quem sou eu? E nessa busca de (des)construção surgem dúvidas e angústias em relação a carreira, principalmente nos anos finais da escola. Permeado por tudo isso, pode haver ansiedades em relação ao vestibular, interesses não compatíveis com as figuras paternas ou com o mercado de trabalho, possibilidades de mudança de cidade e diversos outros obstáculos que podem surgir no caminho. O papel do orientador vocacional nesses casos é fundamental, na medida em que percorre o caminho com o adolescente, podendo-o facilitar, diminuindo suas angústias através do trabalho em conjunto e concomitantemente, obtendo melhor qualidade de vida.

Somos pouco preparados para o mundo adulto, no sentido de passarmos por diversos métodos prontos, principalmente no âmbito educacional. A maior parte de nossa trajetória atuamos passivamente nos muitos contextos que estamos inseridos, sendo nos dito o que devemos fazer. Um dos poucos momentos que surge a demanda de escolha é a época do vestibular, que em muitos provoca uma grande angústia. E como aprender a escolher e enfrentar as crises que farão parte desse novo universo? Será que todos conseguem efetivamente responder a pergunta “o que você quer ser quando crescer?”? E será que é necessário corresponder a demanda que é construída socialmente de que é necessário ter uma formação universitária para “ser alguém na vida”?

Há uma crescente insatisfação de jovens adultos que, ao deparar-se com a realidade de suas universidades e/ou carreiras, frustram-se, pois suas expectativas estão distantes das realidades vividas. Entre as deficiências que o sistema educacional possui, poderia abarcar numa formação de sujeitos mais ativos, de escolha, e que coincida com o mundo adulto. Entretanto, não há como anular as crises, visto que transições e crescimento são alguns de seus resultados.

Dentre aqueles que se encontram perdidos na escolha vocacional ou profissional, um dos papéis que o psicólogo pode exercer é de orientador profissional, porém ele não é o único que pode realizar. O que diferencia o psicólogo orientador profissional de outros orientadores é que ele pode utilizar-se de testes. É um desafio para quem o psicólogo conseguir realizar uma orientação sem ter caráter necessário de terapia.

 E o que é a orientação profissional? Segundo os autores do livro “Compêndio de Orientação Profissional e de Carreira” é uma relação especializada de ajuda, utilizando um método cientifico, utilizando a escolha profissional atual e permanente, através da reunião de características pessoais com a profissional, levando em conta o desenvolvimento pessoal, sócia e com o objetivo para a autonomia e aprendizagem de um processo de escolha. Desenvolvem-se competências e habilidades para possibilitar o planejamento e desenvolver competências para evoluir nos âmbitos pessoal, educacional, econômica e social, que diz respeito aos indivíduos, famílias, comunidades e nações.

A Orientação Profissional é um campo recente e infelizmente, a orientação profissional e de carreira tem sido pouco abrangido pelas graduações de psicologia. Há muitos que atuam sem a devida qualificação, baseando-se em ideias do senso comum. É importante formar mais profissionais qualificados para as demandas que surgem dentro deste contexto, como desemprego, transição de área, necessidade de atualização, insatisfação ocupacional e mudanças de projetos políticos. Ou seja, trabalhar em outros âmbitos da sociedade, e não apenas o adolescente.

julianaJuliana S. Farias é psicóloga formada pela Universidade Federal de São Paulo (CRP: 06/130659). Pós-graduanda em adolescência e formação em Terapia Cognitivo-Comportamental. Atualmente, trabalha em uma equoterapia e atendimento clínico. É apaixonada por terapia assistida por animais. Acredita na psicologia como forma de promoção de qualidade de vida para todos.

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