O que me dizem os mais velhos

Você acredita que tenho algo novo para você?

Se sim, você está certo; se não, também está.

Para ser bastante objetivo contigo, e chegarmos ao ponto principal, vou te levar a uma reflexão básica: Qual a importância do passado, ou melhor, qual a importância dos clássicos na nossa rotina.

Que clássicos?

Todos.

Um clássico, tanto literário quanto artístico, é atemporal. Sim, o que o torna um clássico é que sua importância, reflexiva, objetiva e referencial não é restrita à época em que foi produzida, mas, como atemporal, atravessa o tempo e nos serve como paradigma à nossa modernidade. A síntese é que quando você lê Dostoievski, ou Lima Barreto pode trazer aquela ideia, escrita há décadas, ao nosso tempo, e “apreendê-la”. Apreender transforma, está além de aprender o que é ou como se faz, eu poderia definir como uma compreensão de dentro para fora, por ser profunda e modeladora.

Mas, então, o que fazemos com o novo?

Consumi-los também. Caso as novas e modernas produções de pensamento, artísticas, musicais, literárias, filosóficas, sociológicas consigam ser atemporais é certo que serão os clássicos para o século posterior.

É bem possível que as coisas se repitam dentro dos ciclos de nossas vidas. Não é uma repetição como replay, mas, como disse o poeta e cantor Criolo, são “novas embalagens para antigos interesses”. O que nos interessa, creio, é viver melhor, ou num viés psicanalítico, “Ser Feliz”.

Buscar a felicidade é como andar em uma roda gigante que nunca para, talvez, para a maioria seja embarcar em diferentes bancos no carro da montanha-russa, que também não estaciona. E para essa busca temos os que já trilharam pistas e trilhos parecidos. Os grandes, os observadores, os gênios, os que tiveram a oportunidade de estarem no lugar certo em tempo e argumento, passageiros como nós, deixaram um registro à posteridade, e se são espelhos a nós, certamente, são os clássicos.

Uma vez um professor revelou que “a filosofia começa, quando a fala entra de férias”. Neste mesmo sentido penso que a fala, também, entra de férias, quando abro os ouvidos para o que Cervantes, Tolstói, João Antônio, Machado de Assis, Freud, e todos os grandes disseram, na repetição de sua própria sociedade.

Texto de Willian de Andrade

willWillian de Andrade – Graduando em Filosofia na Universidade federal de São Paulo, escritor e autor, do livro de poemas O Intervalo do Teatro, Willian Andrade é podcaster e colunista no site Psicocast desde sua fundação. Leitor constante dos escritores tidos como malditos e da literatura underground, dedica seu tempo ocioso na construção pessoal de repertórios baseados na arte escrita e na música contemporânea.

 

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