O Outro Lado da Moeda: Não Monogamia

Continuando a série de quebrando tabu, nada mais justo do que falar um pouco sobre o que é um relacionamento não monogâmico, bem como seus preceitos e ideologias. Para contextualizar, monogamia é quando duas pessoas estabelecem um “contrato” de exclusividade, que são os namoros e casamentos tradicionais.

A grande maioria dos animais não é monogâmica, e mesmo aqueles que são fofos e ficam com apenas uma parceira até o fim da vida, como as araras e os pinguins, também dão suas “escapadas”. No caso dos animais, o que justifica esse comportamento é a chance de sucesso reprodutivo e variabilidade genética.

No caso dos humanos, o padrão de relacionamento nem sempre foi monogâmico e heterossexual. 83% das relações eram poligâmicas antes do colonialismo. De 238 sociedades, apenas 49 eram monogâmicas. Muito anterior a isso, a sociedade era matriarcal, ou seja, centrada na mulher, que tinha o poder divino de dar a luz. Após o fim do nomadismo, os homens passaram a perceber que tinham participação direta na concepção de um novo ser. Dessa maneira, deu-se o “start” para as relações monogâmicas. Após a propriedade privada, homens iriam repassar suas terras a seus herdeiros, porém, para ter certeza que aquele filho seria seu, passou-se a ter mais ênfase em relações monogâmicas e a importância da virgindade da mulher.

Pensando no histórico apresentado, as pessoas que defendem outros tipos de relacionamento consideram a monogamia uma posse sobre a outra pessoa, baseado no medo da perda. Posse é um sentimento para objetos e não para pessoas. Acreditam que é abrir possibilidades, já que não faz sentido ter atração por outra pessoa e não poder disfrutar da sensação. Porém, isso não significa que necessariamente todo mundo “sai se pegando”.  Há diversos tipos de relações não monogâmicas:

– Relação aberta: quando há flexibilidade sexual entre o casal*, podem relacionar-se com outras pessoas;

– Comunidade afetiva: grupos de pessoas que se relacionam entre si, que aconteceu bastante na era dos hippies;

– Poliamor: relação com outras pessoas de comum acordo entre um casal*;

– Relação livre: não há hierarquia nas relações, quem escolhe é a própria pessoa se irá ficar ou não com alguém;

– Relação sem vínculo: não há afetividade nos relacionamentos;

– Amizade colorida: essa eu tenho certeza que todo mundo sabe, mas é quando um casal* de amigos não possui um relacionamento propriamente dito, mas há relações sexuais;

– Poligamia: casamento múltiplo a nível estatal, como acontece em algumas sociedades em que um homem pode casar com várias mulheres;

– Amor livre: não há regras, é desconstrução de todos os tópicos anteriores.

*Casal: união de duas pessoas independente de sexo biológico ou gênero.

Dentre essas relações, bem com as LGBT, paira-se uma imaginação de que ou é um caos absoluto, no ponto de vista de quem pratica a monogamia; ou é a tal nível descontruído de que é tudo muito bonito. É importante frisar que qualquer tipo ou grau de relacionamento com pessoas está fadada a ter harmonia ou conflitos, o que vai depender apenas dos envolvidos. Da mesma maneira que quem vive dentro de relacionamentos abertos podem ter “sucesso”, bem como pode ser machista e abusivo.

Já dizia Legião Urbana “…é só o amor, é só o amor que conhece o que é verdade”.

 

Texto de Juliana S. Farias 

julianaJuliana S. Farias é psicóloga formada pela Universidade Federal de São Paulo (CRP: 06/130659). Pós-graduanda em adolescência e formação em Terapia Cognitivo-Comportamental. Atualmente, trabalha em uma equoterapia e atendimento clínico. É apaixonada por terapia assistida por animais. Acredita na psicologia como forma de promoção de qualidade de vida para todos.

 

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