Namoro virtual

 Em âmbito geral, grande parte das pessoas hoje se relacionam virtualmente, tanto por aplicativos, como pelas redes sociais. A tecnologia faz com que as pessoas mantenham-se conectadas, mesmo estando a quilômetros de distância, auxiliando no processo de comunicação.

Sabemos que há um lado muito positivo, sobre esses meios de comunicação, quando tratamos da velocidade em transmitir e receber informações. Por isso, no meio profissional, se tornou algo bem eficaz pela rapidez, como também na vida pessoal. Fazendo com que amigos, parentes, namorados, casados, colegas de trabalho, consigam se comunicarem, na maior parte do tempo.

Mas estar conectado, significa estar próximo? Quando se trata de namoro, o que podemos pensar sobre isso?

Observa-se grande diferença em fazer uso da tecnologia, para auxiliar no ato de se comunicar, do que fazer da mesma, a única forma para se relacionar afetivamente.

Ao se tratar da “paquera virtual”, observa-se duas formas: Uma envolve, conversar com alguém virtualmente, e após um tempo, conhecesse pessoalmente. E a outra, seria de manter essa relação só a distância, atrás de uma máquina, sem entrar em contato com o próximo.

Em ambos os casos, surge certas problemáticas a serem discutidas:

  • Perigos:

Quando conversamos com alguém, na qual, não conhecemos, essa pessoa pode ser qualquer um.

O que quero dizer, é que, em alguns casos, certas identificações como: Características físicas, idade, lugar aonde mora, coisas que diz fazer, relatos de personalidade, podem não ser verdadeiras.

  • Mudança de identidade:

       Por exemplo: Uma pessoa envia uma foto, demonstrando ser um garoto jovem, loiro, olhos claros, e fala: Tenho 23 anos, moro em São Paulo com meus pais, faço medicina, e adoro exercícios e animais.

No caso, essa mesma foto e os dados podem não ser da pessoa, podendo ser um homem ou mulher, ou alguém mais velho. E ainda que seja a pessoa da foto, o mesmo poderá mentir ou omitir dados de sua vida, como também pode ter intenções negativas.

  • Motivos que levam a mentira:

– Assédio Sexual:

Nesse assédio, o outro, pode pedir para a pessoa mandar fotos nuas, falar/digitar coisas obscenas e fazer algum vídeo via webcam. Estando ligadas, ao chamado voyeurismo, que é o prazer sexual em olhar.

 

– Pedofilia/ Assediar alguém menor de idade:

Além do estupro, outras circunstâncias estão relacionadas a pedofilia. Como foi dito anteriormente, mandar fotos e vídeos com intuito sexual, ou pedi-los.

Através de conversas, também se caracteriza o ato. Sendo crime e violência, mesmo que fique mantido o assédio via internet, sem ter o contato direto. Pois, além dos problemas psicológicos que possam acarretar, no caso, os vídeos e as fotos das vítimas, podem ser divulgados para outras pessoas na rede, fazendo com que mais pessoas tenham acesso ao conteúdo. E o agressor pode tentar trazer essa “relação” para o mundo real, sendo de extrema periculosidade.

– Baixa autoestima:

Em algumas situações, a pessoa que está mentindo sobre sua identidade, necessariamente não tem nenhuma intenção negativa, não planeja fazer algo ruim há alguém.

Nesse caso, o mesmo está em conflito em se aceitar, e teme que os outros não o aceitem. Pode ser, por características físicas, questões voltadas ao gênero, sexualidade, preconceitos, estereótipos etc.

Por conta disso, a internet serve como um meio, para a pessoa mostrar seu interior, não sendo julgada pela aparência. Podendo ter uma relação boa com alguém, sem receio.

Apesar dessas questões, quais motivos podem levar a manter essas relações virtuais?

  • Facilidade em conhecer pessoas:

Pela agilidade em trocar informações, e ao mesmo tempo, poder manter diálogos mais longos com as pessoas. Sendo diferente de bares e festas?

  • Sedução pelo desconhecido:

     O mistério em estar falando com alguém, na qual, ainda não conhece. Aguça a vontade de descobrir quem é o outro?

  • Vivendo o mundo ideal:

   Ao não conhecer de fato a pessoa, as idealizações podem surgir. Fazendo com que o outo se torne o ideal pessoal, transformando-o naquilo que deseja ser. E como fica o real?

Podemos dessa forma refletir certos aspectos que englobam as relações virtuais. Ao se tratar de crianças e adolescentes, é importante os pais terem um diálogo aberto com seus filhos, orientando-os e demonstrando os perigos que podem surgir e os cuidados a se tomar, sem necessariamente proibi-los de usar.

Agora, de maneira geral, esses meios fazem parte da vida, por conta da geração que estamos vivendo. Ainda assim, é preciso saber de alguns riscos, e não perder o contato direto com o próximo. As relações humanas pessoais são importantes, e não há nada mais prazeroso do que sair com alguém que gosta, ir ao teatro, cinema, ficar conversando olho-no-olho durante horas, sentindo a presença. As redes vieram para complementar e não substituir.

@PartiuFalarDaquilo?

Imagem do texto : Danbo.


okMichelle M. Santiago
é Psicóloga formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. CRP: 06/128723. São Paulo-SP.

“Em minha formação, sempre tive teóricos que me inspiraram, dentre eles está: Sigmund Freud, com a psicanálise; Carl Gustav Jung, com a psicologia analítica; Jacob Levy Moreno, com o a psicoterapia de grupo e o psicodrama. Sendo de grande base para minha experiência profissional como psicoterapeuta. Possuo grande paixão pelas artes de maneira geral, principalmente quando se trata de cinema e teatro, pois para mim vejo o quanto ‘A arte representa a vida’ e nos ensina. Adoro escrever e tratar de temas envolvendo as relações humanas de maneira geral, como amor, família, amigos, também voltado a sexologia, bem estar etc.

A psicologia para mim é mais que uma ciência, é ser humano.”

 

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