Girafas

Girafas são animais curiosos. Elas possuem uma imponência e uma maneira clássica de se movimentar. Podem amedrontar por seu tamanho. São raras, observadoras e possuem uma característica própria – o silêncio – que pode ser fonte de inspiração, principalmente nos tempos atuais.

Geralmente, as girafas são animais bastante silenciosos. Inclusive, durante muito tempo, pensou-se que elas fossem mudas, já que o som emitido pela espécie é baixo e ainda mais raro em cativeiros.

Esse silêncio todo tem uma explicação biológica: a traqueia é mais estreita que a dos outros animais. Como a prioridade é respirar e, consequentemente, sobreviver, a emissão de sons acaba ficando em segundo plano. Assim, não por acaso, as girafas costumam ter meios silenciosos de comunicação.

O silêncio pode habitar muitos cativeiros dentro das pessoas também. Este silêncio, por sua vez, tende a proteger, aprisionar, buscar soluções, levar a reflexões, deter segredos, rememorar histórias, resguardar feitos, conservar momentos felizes, traçar caminhos para a nossa imaginação, acalmar, reprimir, buscar respostas, emergir perguntas. Enfim, evidenciar a magnitude da eloquência do silêncio.

A importância do silêncio se manifesta de diversas formas. Até mesmo neste processo de escrita, por exemplo, que, embora geralmente esquecido, existe o silêncio. Ele vem antes da primeira frase do texto e também depois da última palavra, sendo esta ensurdecedora no cativeiro do silêncio em alguns momentos.

As pessoas não podem auscultar nossos sentimentos, nem julgar nossos pensamentos, mas podem pesar nossas palavras e julgar nossas ações. Talvez por este motivo, guardamos muitas coisas em segredo. Tudo aquilo que não é dito, oferece bases para a imaginação alheia. O silêncio desperta a curiosidade.

Segundo um ditado da sabedoria popular: “Carroça vazia faz barulho, mas carroça cheia não consegue se movimentar também”. É preciso então compreender a real dimensão do silêncio.

Não somos girafas. Para a sua preservação elas optam entre emitir som ou silenciar quando necessário. Isso é vital para elas, mas nem sempre para o ser humano. Podemos e devemos nos expressar. A cautela, porém, sempre é boa conselheira.

Nem todos estão preparados para escutar. Diante disso, preferimos nos calar. Quando o silêncio é exacerbado, este comportamento pode ser um dos caminhos para uma possível patologia que assola o mundo atualmente: a depressão.

Por outro lado, o falar desmedidamente pode nos conduzir para caminhos de ansiedades, angustias e de frustrações. A opção entre o falar e o calar deve existir. Por vezes, esquecemos disso, pois objetivamos uma confirmação do que acreditamos ou uma esquiva de assuntos que não se tornam interessantes no momento.

Da mesma forma que guardar pensamentos e opiniões é importante, expressar sentimentos, vontades e desejos também o é. Somente assim conseguimos crescer.

 

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Claudiane do Rocio Quaglia Nunes – Psicóloga Clínica e Pedagoga (CRP nº 06/134348). Formada pela Universidade Nove de Julho . Especialista pela Uninter em Psicopedagogia. Atualmente é discente do curso de Especialização na USP em Terapia Comportamental . Atende em São Paulo –  SP . Idealizadora do site  Ideais de Mim 

Contato: claudianequaglia14@gmail.com

Site: http://ideaisdemim.blogspot.com.br/ 

 

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