Eu não sou obrigado!

Tudo o que vivemos é uma construção social. Algumas construções sociais servem para as pessoas e outras podem ser como verdadeiros grilhões. A mídia, por exemplo, bombardeia milhares de padronizações, que geram efeitos que nem percebemos, como nossos preconceitos e modo de ver o mundo.

Um desses padrões que modificam nossas próprias percepções do que é feio e bonito é o padrão de beleza.  Para as mulheres, por exemplo, é passada imagens de mulheres ideais, baseadas na delicadeza, magreza, olhos claros e cabelos lisos. Esse padrão imposto gera intenso sofrimento nas meninas e mulheres, com capas de revista de beleza ensinando que sempre há algo de errado com o nosso corpo, reforçado pela sociedade.

Outra situação que acontece frequentemente é um padrão de felicidade: seja feliz o tempo todo. Quem sofre de depressão sabe o quanto é terrível, ouvindo frases de “falta força de vontade”, “é frescura” e tudo o mais. Todos os sentimentos ditos “ruins”, como tristeza e raiva devem ser abafados, jogados embaixo do tapete. Se vista com uma máscara de um sorriso amarelo e saia por aí, mas não seja verdadeiro.

Para quem tem uma personalidade mais introvertida ou gosta de programas mais caseiros é chamado de chato, certinho demais, puritano, e afins… Quem se recusa a beber, usar drogas ou até quem é mais calado é duramente julgado e em alguns momentos até excluído de determinados círculos sociais. Dessa maneira, muitos se forçam com hábitos que não lhe agradam por uma pressão do momento. Qual o problema de gostar de se divertir de outra maneira?

A consequência? Muitas pessoas tentando se adequar, frustrando-se e até perdendo a saúde. Alisamentos capilares, plásticas, dietas malucas, gordofobia, preconceito, racismo, exercícios intensos, anorexia, bulimia, uso não seguro de anabolizantes, coma alcoólico, overdose…

Em contrapartida, graças ao questionamento desses padrões e ao empoderamento de diversos segmentos da população, existem grupos que vão ao contrário desse movimento, abrindo aos braços para a aceitação. Para uma aceitação maior – será que a plena é possível? – é preciso passar por um processo, para que um padrão não seja substituído por outro.

Dentre todos os malefícios que as pessoas enumeram das redes sociais, há diversos grupos de apoio, movimentos, vídeos e até propagandas de grandes marcas, incentivando as pessoas se gostarem do jeito que são. As vezes, só faltam inspiração como o movimento “Vai ter gorda na praia, SIM”, grupos de transição capilar, transtornos psiquiátricos…

A disseminação do questionamento aliado com o empoderamento ajuda com que as pessoas se cortem esses grilhões, que aprisiona e fica livre para ser elas mesmas:  não sou obrigadx a seguir padrão nenhum!

Créditos da imagem: W art pop  .

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Texto de Juliana S. Farias 

julianaJuliana S. Farias é psicóloga formada pela Universidade Federal de São Paulo (CRP: 06/130659). Pós-graduanda em adolescência e formação em Terapia Cognitivo-Comportamental. Atualmente, trabalha em uma equoterapia e atendimento clínico. É apaixonada por terapia assistida por animais. Acredita na psicologia como forma de promoção de qualidade de vida para todos.

Contato : jusouzafarias@gmail.com 

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