Desejo de poder

O que é a existência se não a luta para permeá-la?

Dawkins nos traz a observação dos genes da sobrevivência, onde faz-se menção a um egoísmo justificado pelo desejo de existir, pautado no evolucionismo. A seleção persegue a sociedade em seu cotidiano, nos exames acadêmicos, na conquista de um parceiro, na busca por uma vaga no estacionamento. Tudo diz respeito a uma competição, onde o troféu é a satisfação do próprio ego, despertando a concepção da convicção da permanência do sujeito como ser existente.

O que não diz respeito à existência mais do que o potencial de notoriedade?

É fato que deter o poderio e ser reconhecido por isto garantiu com que os genes dos grandes líderes tribais fossem repassados e fecundados, onde faz-se notável novamente a fundamentação teórica Darwinista.

Visto o dinamismo cosmopolita iniciado pela tecnologia e globalização, torna-se claro a observação de Guy Debord quanto a superestimada imagem, prevista em 1967. As relações são percebidas como superficiais e atenta-se a exposição de uma imagem quase normativa, este qual avalio como esforço para notoriedade.

Nietzsche também abordou o assunto, ligando o desejo mais profundo do homem com a questão do poderio. Trata-se de uma essência humana que mais se enquadra numa concepção de inconsciente coletivo quanto pode ser mensurada por observação social ou experimentação. Captura-se a mesma ideia no reino animal e parte-se do princípio de que a notoriedade significa a diversidade em seu olhar de supremacia, relaciona-se portanto,a sobrevivência com ser percebido como detentor de poder. De fato, atribuímos valores as pessoas em meio a uma relação.

Segundo a economia contemporânea, cabendo ao interesse ter uma próxima conexão com os objetos de uma classificação generalista de grande valor. Determina-se assim, a definição de status quo, como uma série de elementos que julga-se seres com maior valor pela sua proximidade com o poder, revelado em sua notoriedade social, com o objetivo de sobreviver. A sociedade traça os padrões normativos a seguir, tratando com ações de higienização àqueles que não enquadram-se em seu círculo imaginário. Não nasce-se com tais padrões, o anseio pela admiração tende a ser modelado por questões culturais, onde o meio ambiente determina as moedas de valor e o indivíduo coloca-se à disposição do sistema vigente para atingir o topo da pirâmide dentro da sua realidade, seja ela por meios legais ou, influenciado por questões sociais de seu meio, ilegais.

Abordado como questão de influência social baseado num comportamento instintivo, Richard Dawkins nos recorda quanto a necessidade de se auto-conhecer, propondo assim uma menor limitação do agir, aliado ao pensamento de que conhecer-se significa encontrar seus próprios limites e a partir disso, não ultrapassá-los para teu desconforto, mas criar alternativas para que se atinja o objetivo sem ferir-se.

O objetivo em questão é a auto-reflexão, explorar-se e encontrar em si as barreiras que lhe cercam a fim de entender o próprio funcionamento.

A respeito de fantasias, nota-se a constante representação fantástica de vestir o papel social do detentor de poder, faz-se isso ainda enquanto criança, mergulhado na phantasy de Klein. Enquadra-se todo o esforço e energia para chegar a tal estado utópico de um poder abstrato, que mais vale ser recebido como tal possuidor do que gozar com a própria influência.

Todos os dias, faz-se de extrema importância a fantasia, dizendo ser um ser superior ao que é, na tentativa de ser notado, faz-se milhares de posts com fotos a fim de receber a moeda de troca baseado na notoriedade. Conta-se vantagem, explora-se o círculo social com base em mentiras, usa-se a vestimenta que não condiz com seu meio social,tudo para que se realize a satisfação do ego e tenha a certeza da sobrevivência de amanhã.

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João Paulo Eras – Estudante de Psicologia, escritor nas horas vagas e Geek.

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