Assédio não é elogio!

Nos dias atuais, começamos a ver depoimentos, campanhas, tratando sobre o assédio sexual. A partir disso, podemos começar a levantar algumas questões sobre o tema, sendo muito necessário em ser discutido.

O assédio, engloba tanto o aspecto moral, como o sexual. Ao se falar em assédio moral, referimos a uma pressão psicológica, exercida sobre alguém que se tem uma relação de poder. Agora, o assédio sexual é um conjunto de atos ou comportamentos de uma pessoa, que está em situação de maior privilégio, ameaçando sexualmente a outra pessoa envolvida na situação.

Uma pesquisa divulgada pela organização internacional de combate à pobreza ActionAid, revelaram que 86% das mulheres brasileiras que foram ouvidas, relataram serem assediadas em público. Estendendo-se esse fenômeno a diversos países, como Tailândia, Índia, Inglaterra dentre outros, tendo grande incidência nos espaços públicos, como metros, trens, ônibus, bares, casas noturnas etc.

Com isso, podemos ver como as mulheres constantemente sofrem esses tipos de agressão. O assédio não pode mais ser confundido como algo inofensivo, como se fosse um elogio, e sim como um crime, uma discriminação voltada ao gênero.

De início, determinadas abordagens podem parecer de maneira lisonjeira, como por exemplo: ‘Nossa! Como você é bonita’ … Mas após essa abordagem, em alguns casos, a situação pode começar a perder o controle. O assédio pode se instaurar, pelos olhares, pela perseguição, acuação em lugares reservados, frases obscenas que geram desconforto ao outro, chegando ao abuso sexual, pelas “passadas de mão” sem a autorização da pessoa.

Quem pratica o ato, costuma se sentir seguro, pela situação de poder que se encontra, acreditando que a vítima nunca vai denunciar. Podendo ser por um cargo de poder, na qual ocupa no trabalho ou na vida pessoal, como também pela descriminação voltada ao gênero/sexo.

A vítima começa a se sentir violada, tanto fisicamente como psicologicamente. Passando a viver com sentimentos de medo, insegurança, constrangimento, desconforto e culpa.

Há séculos, vimos fatos históricos que demonstram a predominância do sistema patriarcal, levando ao machismo. Através disso, a mulher foi sendo colocada na posição de propriedade do sexo masculino, no caso, a mesma era vista para satisfazer os desejos do homem e promover o bem estar do lar.

A partir dessa concepção, muitas mulheres tiveram suas vozes silenciadas por longo tempo. E até hoje, muitas ainda têm, por conta dos sentimentos que ainda permeiam.

Por isso, é importante analisar os casos, e saber que “Quem cala, necessariamente não consente”, não é porque alguém fica sem falar diante dessas situações, que está concordando ou gostando.

Todos os aspectos voltados a discriminação de gênero, levaram as mulheres a se sentirem amedrontadas, vivendo com medo. Através disso é necessário o apoio, a união social, para combater esse fenômeno, saindo da zona de”normalidade”.

No caso, não é por ser homem, que é “natural” assediar mulheres, não envolve um aspecto biológico e sim social. Ocasionando a falta de respeito com o outro, a discriminação e o machismo.

Através disso, podemos ver que o assédio é um tipo de violência silenciosa, difícil de se ver, mas que existe e está presente cotidianamente. Mostrando-se por trás de um assobio na rua, um comentário maldoso, um toque corporal “sem intenção”.

A palavra NÃO, precisa ser entendida e respeitada, por ambos os gêneros, afinal somos seres humanos e temos os nossos direitos a individualidade, e não tem que ser violada.

BASTA UM NÃO QUERER PARA NÃO ACONTECER!

É importante denunciar e procurar ajuda. A voz de ninguém precisa mais ser silenciada.

@PartiuFalarDaquilo

okMichelle M. Santiago é Psicóloga formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. CRP: 06/128723. São Paulo-SP.

“Em minha formação, sempre tive teóricos que me inspiraram, dentre eles está: Sigmund Freud, com a psicanálise; Carl Gustav Jung, com a psicologia analítica; Jacob Levy Moreno, com o a psicoterapia de grupo e o psicodrama. Sendo de grande base para minha experiência profissional como psicoterapeuta. Possuo grande paixão pelas artes de maneira geral, principalmente quando se trata de cinema e teatro, pois para mim vejo o quanto ‘A arte representa a vida’ e nos ensina. Adoro escrever e tratar de temas envolvendo as relações humanas de maneira geral, como amor, família, amigos, também voltado a sexologia, bem estar etc.

A psicologia para mim é mais que uma ciência, é ser humano.”

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