Aplicações da Terapia Cognitivo-Comportamental na Clínica

Ultimamente a TCC anda em alta, principalmente entre os médicos e os psiquiatras, o que causa alguma controvérsia entre os psicólogos de outras abordagens. Rixas a parte, a TCC é recomendada devido a um resultado comprovado cientificamente para diversos transtornos, como a ansiedade, depressão, fobia e afins.

A TCC tem uma visão de ser humano como nós fossemos uma árvore: os pensamentos automáticos são as folhas, mais acessíveis, mais fáceis de modificar; as crenças intermediárias são os galhos e os troncos, representando as regras e suposições que construímos durante toda nossa vida, principalmente na infância e adolescência, visíveis mas mais difíceis de acessar; e por fim, a raiz são nossas crenças centrais, que sustentam a nossa visão de si, do outro e do mundo, escondidos embaixo da terra e fortes.

E como ela entra na prática clínica? Cada um maneja de uma maneira, de acordo com seu estilo pessoal, mas em geral, a TCC segue um protocolo. A TCC trabalha com o comportamento e a cognição das pessoas, elaborando um plano terapêutico de acordo com as especificidades de cada caso, sendo uma abordagem bastante prática. O objetivo é obter uma melhora no humor e no comportamento através das mudanças cognitivas, modificando os pensamentos disfuncionais.

Em primeiro lugar, o acolhimento e o vínculo são fundamentais. Ouvir e entender a queixa e a história de vida por trás daquele sujeito. Em um segundo momento, a aplicação de uma anamnese, compreendendo diversos aspectos da vida: infância, familiares, amigos, trabalho, estudo, relacionamentos amorosos, eventos importantes, situações traumáticas e afins.

Paralelamente, é necessário realizar a psicoeducação do modelo cognitivo, explicando a visão de ser humano de acordo com a abordagem, e do próprio transtorno, caso a pessoa já possua um diagnóstico. Nesse momento, a pessoa deverá entender a importância de se engajar na terapia como seu próprio co-terapeuta, pois os estudos demonstram que pacientes que realizam os exercícios e as tarefas de casa possuem melhora importante dos sintomas. As tarefas serão exercícios que o psicólogo irá passar, como o RPD, para que a pessoa perceba seus erros cognitivos em uma dada situação e também exercícios práticos, como realização de respiração diafragmática.

Ao longo do processo, o psicólogo irá preenchendo a conceitualização do paciente, amarrando quais fatos na vida fizeram com que a pessoa funcionasse de determinada maneira, bem como perceber os pensamentos disfuncionais, crenças intermediárias e centrais que aparecem em cada situação.

A TCC utiliza-se de técnicas para contestar os pensamentos disfuncionais, e juntos, psicólogo e cliente/paciente irão construir um pensamento mais funcional. Por exemplo, há analisar o custo e benefício de pensar de uma determinada forma ou o exame de evidências para que a pessoa perceba a probabilidade de uma situação X de fato ocorrer.

Para cada transtorno e cada caso o psicólogo poderá se utilizar de técnicas especificas. Por exemplo, no caso de fobias, é recomendado se utilizar de exposição gradual da situação temida, a fim de que haja uma dessensibilização sistemática. Alguns casos é necessário que técnicas comportamentais, como o exemplo anterior, anteriormente, posteriormente ou paralelamente com as técnicas cognitivas.

Muitas vezes, é necessário trabalhar em parceria com o psiquiatra. Não podemos ser onipotentes ao achar que a psicoterapia dá conta para todos os casos. Assim como o medicamento também funciona melhor quando acompanhado de tratamento psicológico. Por exemplo, no caso da depressão, pode haver dificuldade de engajamento por conta da própria doença, dificultando o processo terapêutico. Também há casos que é necessário entrar com serviços de rede da região, contando com outros profissionais como oficiais de justiça. Isso ocorre, por exemplo, em casos de violência doméstica ou os que necessitam do conselho tutelar.

Referências bibliográficas:

Wright, JH, Basco, MR. Thase, ME. Aprendendo a Terapia Cognitivo-Comportamental, um guia ilustrado. Artmed. Porto Alegre, 2008.

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Texto de Juliana S. Farias 

julianaJuliana S. Farias é psicóloga formada pela Universidade Federal de São Paulo (CRP: 06/130659). Pós-graduanda em adolescência e formação em Terapia Cognitivo-Comportamental. Atualmente, trabalha em uma equoterapia e atendimento clínico. É apaixonada por terapia assistida por animais. Acredita na psicologia como forma de promoção de qualidade de vida para todos.

Contato : jusouzafarias@gmail.com 

 

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