A psicologia das emergências e desastres

A psicologia das emergências e desastres é um campo novo em comparação a outras áreas de atuação do psicólogo como a clínica, entre outras. O primeiro estudo sobre esse tema aconteceu no ano de 1909 quando o psiquiatra Edward Stierlin buscava compreender ações relacionadas as emoções de pessoas que se envolveram em desastres. Já em relação a intervenção do psicólogo após a ocorrência de um desastre, a primeira pesquisa foi realizada por Lindemann no ano de 1999 (CARVALHO, 2009; COELHO, 2006 apud FREITAS; SCHEFFEL; SCHRUBER JÚNIOR, 2011).

De seu surgimento até os dias atuais muito mudou nesse campo. À medida que o psicólogo intensificou sua participação nessa área, alguns conceitos foram abandonados e outros consolidados. A psicologia realizou pesquisas e instituiu o debate em torno desse novo campo. No Brasil, a experiência no atendimento de vítimas de tragédias como, os acidentes aéreos e o incêndio da boate Kiss, contribuíram para ampliar o conhecimento e a experiência na atuação nesse duro cenário.

O trabalho do psicólogo pode ocorrer diretamente no atendimento às vítimas ao auxiliá-las a se situarem diante do caos que os desastres provocam. Essa fase ocorre no momento seguinte ao desastre ou tragédia. A atuação do psicólogo será sempre em equipe multidisciplinar e, na maioria das vezes, no próprio cenário da tragédia. De acordo com Franco (2005) o atendimento das vítimas deve ocorrer por meio da abordagem focal com vista a reconstrução da vida e elaboração do luto diante da perda de pessoas, da casa, de objetos pessoais e do próprio cotidiano.

Outra forma de atuação do psicólogo ocorre de modo indireto ao realizar a preparação ou formação dos agentes (de variadas áreas, incluindo voluntários) que atuam nessas ocorrências. Nesse caso, o trabalho é geralmente viabilizado pelo Governo, ONG’s ou, em casos específicos, por empresas envolvidas diretamente nas tragédias.

É necessário que o psicólogo que pretende atuar, ou atua, nesta área faça formação específica em função das especificidades que esse contexto impõe. É de extrema importância também cuidar de si, fazer psicoterapia. O atendimento a vítimas de experiências tão difíceis e trágicas traz a necessidade de um espaço para o psicólogo elaborar as emoções ou compreensões decorrentes do contato com intensas perdas e traumas, tal necessidade se estende aos demais profissionais que atuam nessa área.

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nv-200x300 Anna Silvia Rosal de Rosal
é psicóloga clínica e intercultural; doutoranda com mestrado em Psicologia Clínica pela PUC SP; especialista em Psicoterapia Psicanalítica pela USP; docente do ensino superior; pesquisadora com trabalhos apresentados em congressos; livros e artigos publicados; experiência nas áreas clínica, recursos humanos e hospitalar.

Autora do livro Vida de Expatriado: carreira e subjetividade do executivo solteiro pelo olhar da psicologia. Zagodoni editora.

Lattes: http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?id=K4233807D8

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