A busca pelo ‘Grande Amor’

Esse termo, chamado “o grande amor” é ouvido por gerações, sendo percebido como o amor romântico, ou seja, idealizado.

Muitas pessoas associam o encontro desse amor, com a felicidade plena. Acreditando que só poderá obter satisfação pessoal, podendo ser feliz e realizado quando encontrá-lo.

Há séculos passados, essa busca era mais intensa. A ideia do casamento e a constituição familiar, era vista como uma obrigação. Caso, as mulheres de épocas passadas não cassassem, pressupunha-se que teriam uma vida infeliz, por não cumprir seu papel na sociedade.

Nos dias atuais, a questão do casamento, não é mais vista como uma obrigação, pelas mudanças sociais que foram ocorrendo. Ainda assim, permeia no inconsciente coletivo essa ideia de infelicidade, caso não encontre o par ideal, na qual, viverá para sempre ao seu lado.

Em muitos contos infantis, ainda mostra-se o “príncipe encantado” que resgata a princesa do perigo e vive com ela, felizes para sempre.

Dessa forma, muitas meninas cresceram vendo esses contos. Mantendo-se a ideia de encontrar esse “príncipe” que ajudaria a resgatá-la de todos os perigos e malefícios do mundo.

Mas no mundo real, esse “amor idealizado” pode não aparecer. Fazendo com que gere grandes frustrações, ou, queira transformar parceiros na “imagem e semelhança de sua idealização”, no caso, em algo que não são.

Ao falar da “imagem e semelhança”, quero dizer, que muitas vezes, algumas pessoas passam uma vida toda, acreditando que seu parceiro irá mudar o comportamento, pelo amor que sente. Sendo que, para uma pessoa modificar determinado comportamento, precisará encontrar sentido pessoal, não tendo relação direta com o sentimento.

O tempo de duração, também é visto como determinante. Há muitas pessoas que acreditam que antes, existia mais amor entre os casais do que hoje, já que os casamentos duravam para sempre.

Mas na realidade, era a constituição social que era outra, tendo-se uma obrigatoriedade em permanecer casado, por aspectos religiosos e sociais. Na nova geração não existe mais essa obrigação, deixando as pessoas livres para fazerem suas próprias escolhas, não tendo relação com a intensidade do sentimento.

Por fim, podemos analisar que o “grande amor” relaciona-se ao ideal romântico que foi estabelecido por várias gerações, sendo esse tipo de romance que determinaria a felicidade.

Constantemente as pessoas poderão se apaixonar e desapaixonar, durando o tempo que for. O amor envolve afetividade, química, atração sexual e diversas coisas. Para algumas pessoas essas relações poderão durar mais e outras menos, mas isso não determinará que um casal foi mais feliz do que outro, ou amou mais, ou teve mais sorte.

De um modo geral, envolve-se um contexto que o casal está inserido, grau de afetividade, tipo de relação estabelecida, aspectos pessoais etc. Cada um irá se relacionar a sua maneira, não tendo a obrigação de seguir um “padrão de perfeição”

A felicidade pode ser vista de diversas formas, nas relações (com amigos, familiares, animais…), por coisas que se sente bem em fazer (ler, escrever, estudar, dançar, viajar, passear…), pela profissão que exerce.

Gerando o bem estar, em permanecer ao lado de pessoas que te fazem bem. E não obrigar-se a permanecer em um relacionamento, mesmo se sentindo mal.

@PartiuFalarDaquilo

okMichelle M. Santiago é Psicóloga formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. CRP: 06/128723. São Paulo-SP.

“Em minha formação, sempre tive teóricos que me inspiraram, dentre eles está: Sigmund Freud, com a psicanálise; Carl Gustav Jung, com a psicologia analítica; Jacob Levy Moreno, com o a psicoterapia de grupo e o psicodrama. Sendo de grande base para minha experiência profissional como psicoterapeuta. Possuo grande paixão pelas artes de maneira geral, principalmente quando se trata de cinema e teatro, pois para mim vejo o quanto ‘A arte representa a vida’ e nos ensina. Adoro escrever e tratar de temas envolvendo as relações humanas de maneira geral, como amor, família, amigos, também voltado a sexologia, bem estar etc.

A psicologia para mim é mais que uma ciência, é ser humano.”

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