A alma gêmea

O conceito de ‘alma gêmea’ foi discutido ao longo de gerações, e sempre foi visto como um amor sublime, eterno, fazendo com que todos sonhassem em ter.

Esse termo, traz a ideia de duas ‘almas’ serem idênticas, e por isso seria um amor ideal, para um relacionamento amoroso. Já que por serem “iguais”, a “cara metade”, não haveria brigas e ambos constantemente se entenderiam. Mas essa forma de se relacionar seria o saudável e positivo?

Ao tratar desta perspectiva, podemos refletir como a ideia do ser diferente ainda causa estranheza, e é visto como algo negativo por nossa sociedade. Aquilo que é contrário de nós, temos receio, não sabemos como lidar, gerando o medo pelo desconhecido.

Nos dias atuais, o ideal de perfeição ficou mais evidente. E cada vez mais, as pessoas cobram o corpo e o estilo idealizado, ou seja, estando dentro dos padrões estabelecidos, denominando dessa forma o que é belo e feio.

 “Narciso acha feio, aquilo que não é espelho”(…)

‘O conto de Narciso, vem de uma mitologia grega, na qual, fala sobre um garoto filho de um Deus que era muito belo. A partir disso, foi feito um encanto para que o mesmo nunca contemplasse sua própria imagem, sendo que dessa forma, o mesmo teria vida longa. Um belo dia Narciso, passa por um lago e vê sua imagem refletida sob a água, e ao ver tanta beleza, acaba se apaixonando pela sua própria imagem, sem saber que se tratava de si mesmo. Com isso, o mesmo mergulha na água, para ir ao encontro de seu amor, e morre afogado.’                                                             (Sendo essa uma das narrativas da fábula).

Através disso, podemos analisar, como existe várias relações pautadas no narcisismo. Sendo que muitas se originam por questões atribuídas ao físico e a beleza. E para se manter a longo prazo, só se ambos forem “iguais”.

O psicanalista Sigmund Freud, trata da pulsão de vida, fazendo referência ao libido. Quando somos crianças, vivemos pelo princípio do prazer, e não diferenciamos o ‘eu do outro’, logo que crescemos vamos percebendo as diferenças do ‘eu para o outro’.

Por isso, a pulsão de vida ligada ao libido, se divide em duas, no nosso desenvolvimento. Uma parte liga-se ao nosso “eu”, na qual, fazemos coisas por nós mesmos, como se arrumar, fazer atividades que gostamos: cursos, passeios, compras, viagens etc. Conhecido também como “o amor próprio”.

A outra parte liga-se ao “outro”, na qual, fazemos coisas para outra pessoa, sendo “o amor pelo outro”. A relação vai se baseando pela “troca de mundos opostos”, e ambos vão se construindo através do que é diferente.

Quanto tratamos da relação narcisista, o “amor pelo outro” praticamente não existe, pois a busca é pela própria imagem, ou seja, pela extensão de si mesmo. A pessoa não vê o companheiro como um ser singular, que possui vontades próprias.

Nesses casos, uma das pessoas pode acabar se anulando, para satisfazer as vontades do parceiro, e receber esse amor, tornando-se um ciclo vicioso.

O lado saudável vai deixando de existir, já que o respeito e o olhar para a singularidade da pessoa deixa de acontecer. Sendo esse um dos motivos, para que alguns relacionamentos tenham um período curto de duração.

No caso, se um dos lados não se anular e ceder aos desejos constantes do outro, a relação enfraquece e não resiste.

Dessa forma, por mais que o desconhecido cause insegurança, ainda assim é muito enriquecedor. Afinal, é com o diferente que aprendemos, reavaliamos, podendo modificar certos aspectos pessoais.

Essa mudança, não fará você perder uma parte de si mesmo, e sim irá complementar a parte que já existe.

@PartiuFalarDaquilo

okMichelle M. Santiago é Psicóloga formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. CRP: 06/128723. São Paulo-SP.

“Em minha formação, sempre tive teóricos que me inspiraram, dentre eles está: Sigmund Freud, com a psicanálise; Carl Gustav Jung, com a psicologia analítica; Jacob Levy Moreno, com o a psicoterapia de grupo e o psicodrama. Sendo de grande base para minha experiência profissional como psicoterapeuta. Possuo grande paixão pelas artes de maneira geral, principalmente quando se trata de cinema e teatro, pois para mim vejo o quanto ‘A arte representa a vida’ e nos ensina. Adoro escrever e tratar de temas envolvendo as relações humanas de maneira geral, como amor, família, amigos, também voltado a sexologia, bem estar etc.

A psicologia para mim é mais que uma ciência, é ser humano.”

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